Em 13 de agosto de 2010, Ramires concretizou sua transferência do Benfica para o Chelsea por €22 milhões, assinando um contrato de quatro anos e assumindo a icônica camisa número 7, anteriormente vestida por Andriy Shevchenko. Reconhecido por sua energia, versatilidade e incansável ética de trabalho, Ramires chegou com grandes expectativas para fortalecer o meio-campo do Chelsea sob o comando do técnico Carlo Ancelotti, e rapidamente começou a conquistar seu espaço entre a torcida dos Blues.
Temporada 2010–11: Um Impacto Imediato
Ramires fez sua estreia pelo Chelsea em 28 de agosto de 2010, entrando como substituto em uma vitória por 2 a 0 contra o Stoke City. Apenas semanas depois, ele conquistou sua primeira titularidade na Premier League contra o West Ham United, demonstrando sua capacidade de cobrir o campo e controlar o meio-campo por 90 minutos completos em uma vitória por 3 a 1. Atuações de destaque nos primeiros meses incluíram uma vitória por 2 a 0 sobre o Arsenal, onde ele recuperou a posse de bola e criou uma oportunidade de gol para Didier Drogba, solidificando sua reputação como um meio-campista dinâmico e inteligente.
Em dezembro, Ramires entregou talvez sua melhor performance da temporada em uma vitória por 1 a 0 sobre o Bolton Wanderers, exibindo suas características arrancadas ofensivas, fortes desarmes e habilidades de roubo de bola. Seu primeiro gol pelo Chelsea veio em um triunfo por 4 a 0 sobre o Bolton no Reebok Stadium, destacando sua capacidade de contribuir também ofensivamente. A temporada viu Ramires marcar dois gols na Premier League, incluindo um esforço individual espetacular contra o Manchester City — um drible passando por três defensores e uma finalização precisa que lhe rendeu o prêmio de “Gol da Temporada” do Chelsea.
Apelidado de “Rambo” pelos torcedores por seu estilo agressivo e suas corridas audaciosas no território adversário, Ramires rapidamente se tornou um favorito da torcida. Ele encerrou a temporada com 41 aparições e dois gols em todas as competições, estabelecendo-se como uma figura-chave no motor do meio-campo do Chelsea.
Temporada 2011–12: Glória Europeia e Brilho Doméstico
A campanha de 2011–12 foi transformadora para Ramires. Ele marcou duas vezes em uma vitória dominante por 4 a 1 sobre o Swansea City e balançou as redes contra o Everton pouco depois, apesar de sofrer uma pequena lesão no joelho. Seu primeiro gol na UEFA Champions League pelo Chelsea veio contra o Genk, e ele adicionou gols cruciais contra o Valencia e o Wolverhampton Wanderers, demonstrando sua aptidão para marcar em momentos decisivos.
As contribuições de Ramires foram cruciais na jornada do Chelsea na Champions League. Seu espetacular gol por cobertura contra o Barcelona na semifinal, assistido por Frank Lampard, igualou o placar agregado e impulsionou o Chelsea à final, onde a equipe triunfou sobre o Bayern de Munique em uma dramática disputa de pênaltis. Apesar de perder a final devido a suspensão por acúmulo de cartões amarelos, a influência de Ramires ao longo do torneio foi inegável.
Nacionalmente, ele ajudou o Chelsea a conquistar a FA Cup, marcando na final contra o Liverpool, e contribuiu consistentemente na Premier League. A temporada terminou com 12 gols, nove assistências e 47 aparições em todas as competições. As performances de Ramires lhe renderam o prêmio de Jogador do Ano do Chelsea (eleito pelos jogadores) e sua segunda honra consecutiva de Gol da Temporada pelo gol contra o Barcelona.
Temporada 2012–13: Consistência e Atuações Decisivas
Ramires continuou a brilhar em 2012–13, contribuindo com gols e assistências em jogos da Premier League e da Champions League. Ele marcou contra o Manchester United em várias competições, incluindo a League Cup e a FA Cup, e foi fundamental nos sucessos do Chelsea na League Cup e na Europa League, marcando na final da Europa League contra seu ex-clube, o Benfica.
A adaptabilidade de Ramires foi notável; ele chegou a atuar como lateral-direito durante a FA Community Shield de 2012, assistindo Fernando Torres enquanto cobria defensivamente. Essa versatilidade cimentou ainda mais sua reputação como um meio-campista confiável e multifacetado, capaz de influenciar jogos tanto no ataque quanto na defesa.
Carreira Posterior no Chelsea: Liderança e Legado
Nas temporadas seguintes, Ramires continuou a fazer contribuições decisivas. Ele alcançou marcos como sua 100ª aparição na Premier League e marcou em partidas chave da UEFA Champions League e em competições domésticas. Apesar de uma doença renal em maio de 2015 que o fez perder um jogo decisivo para o título, ele completou sua coleção de troféus, tendo conquistado todas as principais honras domésticas e europeias durante sua passagem pelo Chelsea. Em outubro de 2015, ele assinou uma extensão de contrato de quatro anos, sublinhando a confiança do clube em seu valor dentro e fora de campo.
Saída para o Jiangsu Suning: Uma Transferência Recorde
Em 29 de janeiro de 2016, Ramires transferiu-se para o clube chinês Jiangsu Suning por uma quantia reportada de £25 milhões, estabelecendo um novo recorde de transferência na China na época. Sua mudança marcou o fim de uma notável passagem de seis anos pelo Chelsea, durante a qual ele se tornou um símbolo de determinação, habilidade e inteligência tática no meio-campo.
Conclusão: O Legado de Rambo
A carreira de Ramires no Chelsea é lembrada por mais do que apenas estatísticas. Com seu incansável trabalho, gols espetaculares e capacidade de brilhar em momentos críticos, ele exemplificou o meio-campista moderno “box-to-box”. Apelidado de “Rambo” pelos torcedores, ele trouxe energia, coragem e criatividade para Stamford Bridge, contribuindo para alguns dos momentos mais memoráveis da história recente do Chelsea — incluindo triunfos europeus, vitórias em copas domésticas e campanhas icônicas na liga.
Desde sua estreia em 2010 até sua partida em 2016, a jornada de Ramires no Chelsea ilustra como a dedicação e versatilidade de um único jogador podem deixar uma marca indelével na história de um clube. Hoje, ele permanece celebrado como um dos meio-campistas mais dinâmicos e influentes dos Blues, um verdadeiro símbolo de coração, habilidade e determinação em campo.

