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"Queria, mas não podia". A trajetória de Leão no Milan, de herói do Scudetto a personagem distante

29 de agosto de 2026Diego Herrera2 мин

Rafael Leão se despede do Milan, desta vez é definitivo. Chegou ao clube em 1º de agosto de 2019, por 30 milhões de euros, e precisou de tempo para transformar seu talento em consistência, antes de explodir sob o comando de Stefano Pioli.

A temporada 2021-22 marcou sua consagração, com 14 gols e 12 assistências em 42 jogos. Seus feitos foram cruciais na conquista do Scudetto, com gols importantes contra Fiorentina e Atalanta, além de três assistências no decisivo 3 a 0 contra o Sassuolo. No ano seguinte, repetiu o alto nível, com 16 gols e 15 assistências em 48 partidas, destacando-se como protagonista nos quartos de final da Champions League contra o Napoli. Na temporada 2023-24, o português encerrou com 15 gols e 14 assistências em 47 jogos, reafirmando seu status como o principal talento ofensivo do Milan e honrando o peso da camisa 10.

Montanhas-russas e a profecia de Allegri

Em meio a mudanças de treinadores, incompreensões e atuações inconsistentes, Leão foi perdendo gradualmente a centralidade que havia conquistado. Na temporada 2024-25, registrou 12 gols e 13 assistências em 50 jogos, mas a sensação era de um talento incapaz de encontrar regularidade. A temporada 2025-26 representou o ponto mais baixo, com 10 gols e apenas 3 assistências em 31 partidas, e o final do campeonato alimentou ainda mais as dúvidas sobre seu futuro. As palavras do técnico Massimiliano Allegri após o empate contra a Juventus em abril, "Não se pode esperar que Leão tenha consistência de desempenho. Ele nunca a teve", soam hoje quase proféticas.

O balanço geral no Milan

O balanço total conta uma história importante: 291 jogos, 80 gols e 65 assistências, totalizando 145 participações diretas em gols e uma contribuição a cada 135 minutos. Esses números colocam Leão em oitavo lugar na história do Milan em gols e assistências, atrás apenas de lendas como Rivera, Shevchenko, Nordahl, Kaká, Van Basten, Altafini e Inzaghi. Assim, após sete anos, encerra-se um relacionamento vivido entre amor, críticas e arrependimentos. O talento permaneceu, a consistência não, e a despedida, após declarações recentes e muitas críticas nos meses passados, acontece da forma mais turbulenta possível. O futuro de Rafa reserva um contrato de 10 milhões de euros por temporada com o Galatasaray, enquanto o do Diavolo é de 40 milhões de euros mais 3 de bônus. Mas para ambos, resta a consciência de terem vivido um "queria, mas não podia".